Arquivo para março \26\UTC 2009

26
mar
09

A antropofagia do marxismo como forma de interpretação do Brasil

caio prado

ENSAIO

Caio Prado Júnior : A Antropofagia do Marxismo como Forma de Interpretação do Brasil

Por : Herik Zorneck

 

Com a realização da Semana de Arte Moderna em São Paulo , ocorrida no centenário da Independência em 1922, o modernismo – enquanto projeto estético – antecipa-se à modernidade social no Brasil , que só viria a luz com a Revolução de 1930.

A revolução retira as velhas oligarquias regionais do poder, cuja base era a economia agro-exportadora de produtos primários voltados ao consumo de um mercado mundial.

Essa base de sustentação econômica do poder da aristocracia, que tinha funcionado muito bem , desde a Independência até a primeira década do século XX ( não só para o Brasil mas também para as elites de todos os países da América Latina ), encontrava-se então no auge de um processo de deterioração (1) , causado pela diminuição dos intercâmbios comerciais internacionais, cujos motivos principais foram : a onda de protecionismo deflagrada pelos países do centro do capitalismo mundial retardatários no processo de unificação e industrialização ( i.e. Alemanha e Itália ), levando ao acirramento da concorrência por mercados exclusivos e seus efeitos deletérios no comércio mundial como um todo; a Primeira Guerra Mundial; e a crise do capitalismo ( em sua vertente liberal ), cujo ápice foi o crack da Bolsa de Nova York em 1929.

Toda essa peculiar configuração da situação política e econômica do mundo no começo do século XX contribuiu de forma decisiva para guindar ao poder uma nova constelação de forças políticas que tinha por tarefa a modernização ( política , econômica e social ) do Brasil.

A modernização do Brasil – cuja expressão política foi a Revolução de 30 e seus desdobramentos – teve como conseqüência econômica um processo de industrialização por substituição de importações, elevado de política contingencial ( como o fora em certos momentos do período colonial e durante a Primeira Guerra Mundial ) a um projeto deliberado e sistemático do Estado brasileiro . A industrialização acarretou grandes mudanças na estrutura da sociedade , como o intenso processo de urbanização da população e a adoção de uma legislação trabalhista que viabilizou a alavancagem do capitalismo através da reordenação do mercado de trabalho.

Em paralelo a esses desenvolvimentos, o Estado – transformado em fomentador e posteriormente em agente principal de um processo de industrialização e modernização do país – acabou por fornecer o incentivo ( criando novas universidades, agindo como mecenas ao encomendar projetos de edifícios públicos e monumentos à vanguarda modernista e até mesmo coptando intelectuais para seus quadros burocráticos ) à elite intelectual brasileira para a aplicação do modernismo a um projeto ideológico de re-interpretação do Brasil , ou seja : a uma reflexão teórica que recontasse a história do país e que abrangesse todo seu processo de formação ( desde o descobrimento, passando por todo período colonial , independência , império e proclamação da república , culminando com a revolução de 1930 ) ; depurando dessa interpretação os elementos mais conservadores e anacrônicos – tanto do plano estético quanto do plano ideológico – das tentativas de interpretação anteriores ( Euclides da Cunha ,Varnhagen, Capistrano de Abreu , Rocha Pombo, Oliveira Viana, Alberto Torres, entre outros ) ; formulando uma reconstrução consistente desse processo que explicasse o passado como forma de repensar o presente e vislumbrar suas tendências futuras ; buscando em nossas raízes as origens dos dilemas da atualidade e suas possibilidades de superação .

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Além do Mar Tenebroso

Mergulhada nas brumas do oeste distante

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Indescritível beleza sob o calor tropical

Construiremos aqui um Novo Mundo

A Terra de Ninguém , em Lugar Nenhum

 

Eric Russel

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