27
maio
09

Uma Terra primitiva no congelador


Continuando minha série de matérias sobre exobiologia, quero falar um pouco hoje sobre uma  lua do sistema solar que – além do planeta Marte e de Europa ( lua de Júpiter, sobre a qual já falei em outra matéria ) – tem possibilidade de abrigar vida extraterrestre .


Trata-se de Titã , a maior lua de Saturno e a segunda maior do sistema solar . Antes se pensava que ela fosse a maior lua do sistema solar – dai o nome Titã – mas descobriu-se que, na verdade, Ganímedes era maior . Isso porque  a densa atmosfera de Titã reflete muito a luz solar , fazendo-a parecer maior do que é de fato .

Mesmo assim, Titã é maior do que Mercúrio ( embora seja menos massivo ) , e – portanto – se orbitasse o Sol seria um planeta por direito .

Diferentemente de Europa, onde é muito provavel que exista um oceano quimicamente parecido ao oceano de nosso planeta ( um oceano de água , portanto ) em condições geográficas distintas, ou seja , escondido sob a capa de gelo que envolve essa lua ; em Titã  a paisagem ( landscape ) é muito parecida com a da Terra , mas as substâncias envolvidas em sua composição são definitivamente bizarras.

Assim como Europa , Titã está bastante longe do Sol, e é – portanto – bastante frio comparado à Terra.

Na superfície, a temperatura de Titã é de cerca de -179°C. Nesta temperatura o gelo de água não sublima, criando uma atmosfera com praticamente nenhum vapor de água.

São muitas as curiosidades que fazem dessa lua um dos lugares mais interessantes do sistema solar .

Em primeiro lugar , é a única lua do sistema solar que possui uma atmosfera realmente digna de nota, sendo inclusive mais densa do que a atmosfera da Terra.

A atmosfera é rica em azoto, metano e vários hidrocarbonetos complexos  ( que formam um denso nevoeiro alaranjado encobrindo a superfície do planeta ) , além de monóxido e dióxido de carbono , cianogeno, hidrocianido e hélio .

Titã possui um ciclo de metano que pode provocar processos de erosão na superfície da lua , de forma muito parecida com o ciclo hidrológico da água na Terra .

O metano nas temperaturas comuns de Titã encontra-se no estado gasoso, mas a atmosfera superior de Titã o destroi gradualmente , tranformando-o em hidrocarbonetos. Contudo, os compostos mais complexos de carbono, formados a partir de metano, são líquidos a essas temperaturas. Estes compostos caem sob a forma de chuva na superfície de Titã . Especula-se que possam formar lagos  ( ou até mesmo um oceano ) , mas – até agora – nada ficou 100 % comprovado, apesar dos esforços da comunidade científica .

Outra força que está constantemente remodelando a superfície de Titã é a ocorrência de criovulcanismo . Esses criovulcões funcionam a baixíssimas temperaturas e ejetam uma mistura bizarra de água e amônia viscosa , que se comporta como se fosse a lava expelida pelos vulcões da Terra.

Em julho de 2004 missão conjunta da ESA e da NASA  Cassini – Huygens chegou a Titã, sendo que – em Janeiro de 2005 – a sonda Huygens passou por entre a neblina, descendo até a superfície, onde tirou as primeiras fotografias da superfície de Titã, mas – devido ao nevoeiro – e mesmo com fotografias, muito ficou por saber ( i.e. a presença de líquidos na superfície não foi confirmada ).

VIDA EM TITÃ

Os espectógrafos da Voyager 1 deram a conhecer a existência de moléculas orgânicas, e em particular de hidrocarbonetos já complexos de metano, que já tinham sido detectados a partir da Terra, mas também de acetileno e outros compostos num mundo que se revelou interessante para os exobiologos. Foi também descoberto ácido cianídrico (HCN), uma molécula um tanto simples composta por três átomos, mas que são as bases azotadas do ADN, o código com que se “escreve” a vida.

Como existe metano e monóxido de carbono em quantidade suficiente e Titã está suficientemente próximo do Sol, o satélite pode ser afetado pela luz ultravioleta. As radiações mais fortes do Sol, na alta atmosfera de Titã, leva a que as moléculas do Metano (CH4) formem moléculas mais complexas. Os hidrocarbonetos mais pesados aglomeram-se e produzem as opacas camadas de aerossol alaranjado com 200 km de altura, até serem demasiado pesados e, assim, descem à superfície. Lentamente e durante a história desta lua, uma contínua camada orgânica foi cobrindo toda a superfície até, pelo menos, centenas de quilómetros. Devido a isto, Titã tem semelhanças com a Terra primordial. Titã tem sido visto como uma Terra primitiva no congelador, com o embrião da vida congelado.

A existência de criovulcanismo em Titã tem importantes implicações na exobiologia, já que expõe os orgânicos da superfície à água líquida. A química aquosa permite que os hidrocarbonetos formem espécies pré-bióticas mais evoluídas e oxidadas, tais como aminoácidos.

Daqui a 5 bilhões de anos , quando o Sol se tornar um gigante vermelho e se expandir a ponto de engolir o planeta Terra, pode ser que Titã receba a mesma quantidade de luz e calor solar que nosso planeta recebe hoje .

Hipoteticamente – e por um curto período de tempo – essa fria e inóspita lua do sistema solar poderá tornar-se um mundo oceânico onde a vida prospere.

Para saber mais sobre Titã, assista esse interessante documentário da BBC :

Referências utilizadas :

http://pt.wikipedia.org/wiki/Tit%C3%A3

http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI2427896-EI302,00.html

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