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09

Satélite CoRoT descobre novas “superterras”


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Pesquisadores ligados ao satélite CoRoT acabaram de anunciar a descoberta de um planeta fora do sistema solar (exoplaneta) que é rochoso assim como a Terra, Marte, Vênus e Mercúrio. De acordo com o professor Eduardo Janot Pacheco, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, trata-se da primeira descoberta do gênero e que só foi possível graças a união das pesquisas realizadas com o satélite franco-europeu-brasileiro CoRoT e o espectógrafo HARPS (High Accuracy Radial velocity Planet Searcher), do Observatório Europeu Austral (ESO).

 De acordo com Janot Pacheco, presidente do Comitê CoRoT-Brasil, para os cientistas descobrirem qual é a densidade de um planeta e, consequentemente, qual é a sua natureza — se é um planeta rochoso ou gasoso — é necessário medir a sua massa e o seu raio. O satélite CoRoT fornece apenas o raio; o HARPS, a massa. Então, há cerca de dois anos, os cientistas começaram a utilizar o espectógrafo HARPS, instalado no Chile, que é o mais preciso existente no mundo.

Só foi possível descobrir esse exoplaneta porque foram utilizados os dois instrumentos mais precisos existentes atualmente no mundo para medir variações de luz (CoRoT) e de velocidade (HARPS). “Com a junção entre a descoberta do CoRoT e as medições obtidas com o HARPS foi possível determinar, com precisão, a massa e o raio do exoplaneta”, conta o professor. “O grande interesse envolvendo esta descoberta é o fato de nós, astrônomos, acreditarmos que a existência de vida fora da Terra pode ocorrer apenas em planetas rochosos”, destaca. O pesquisador Sylvio Ferraz Mello, do IAG, participou das análises que levaram à descoberta.

O satélite CoRoT é um projeto internacional que envolve pesquisadores  da França, Áustria, Bélgica, Brasil, Alemanha e Espanha. O Observatório Europeu Austral tem a participação de 14 países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça.

O exoplaneta CoRoT-7b
O satélite CoRoT realizou a descoberta do exoplaneta em fevereiro de 2009. Ele recebeu o nome de CoRoT-7b. Seu raio foi estimado como sendo quase o dobro do raio da Terra. Já as observações feitas no ESO identificaram sua massa, que é de cerca de 5 massas terrestres, o que significa que ele é um dos menores conhecidos. O exoplaneta orbita uma estrela denominada CoRoT-7, ligeiramente menor, mais fria e mais jovem do que o Sol, localizada na constelaçao de Monoceros (Unicornio), e que está a cerca de 500 anos-luz da Terra. O planeta completa uma translação em torno de sua estrela em pouco mais de 20 horas, estando 23 vezes mais próximo dela do que Mercúrio está do Sol.

Como a massa do exoplaneta é muito pequena, foi preciso realizar, por meio do espectrógrafo HARPS, uma longa série de medidas de velocidade de sua estrela, para que fosse possível calcular a perturbação gravitacional que ele causa nela. CoRoT-7b tem uma massa muito menor do que, por exemplo, Netuno (17 massas terrestres), e por isso cai na categoria das chamadas “superTerras”. Cerca de uma dúzia de tais objetos foram descobertos até hoje, mas CoRoT-7b é o único para o qual a massa e o raio foram determinados com precisão.

O exoplaneta gira muito rápido em torno de seu Sol, a quase 780.000 quilômetros por hora apresentando sempre a mesma face para ele. Estima-se que a temperatura nesse lado do planeta seja superior a 1.000 graus Celsius. Sua outra face, sempre às escuras, deve ter temperaturas muito abaixo de zero. Existe, contudo, uma faixa intermediária entre as duas faces, onde a temperatura é amena.

A precisão do HARPS é tão grande, que ele descobriu que nesse mesmo sistema existe outra super-Terra: CoRoT-7c, que tem aproximadamente 8 vezes a massa da Terra e um período orbital de quase 4 dias. O sistema planetário de CoRoT-7 é o único descoberto até agora que possui duas superTerras.

Com informações do Observatório Europeu Austral

FONTE : Agência USP – http://www.usp.br/agen/

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